Coloproctologia

Coloproctologia

Coloproctologia

O Câncer Colorretal, ou de cólon e reto (CCR) é uma doença comum e letal, sendo, atualmente um dos tumores malignos mais frequentes em todo o mundo. Neste texto, abordaremos o CCR de um modo mais amplo, considerando os tumores do intestino grosso – ou cólon – e os do reto. Nos países com alta incidência, o CCR tem sido considerado um problema de saúde pública. No mundo, anualmente, são diagnosticados cerca de um milhão de novos casos, o que corresponde a 9,4% de todos os tumores malignos.

Atualmente, ocupa a terceira posição mundial entre os tumores malignos e a segunda nos países desenvolvidos. No Brasil, encontra-se em quarto lugar, mas tem aumentado de prevalência, seguindo a tendência observada nos países desenvolvidos.

A idade é o fator mais importante de risco no CCR esporádico. Seu diagnóstico é raro antes dos 40 anos e sua incidência começa a aumentar significativamente entre os 40 e 50 anos, e as taxas de incidência relacionadas à idade aumentam sucessivamente a cada década subsequente. Nos países ocidentais, o risco de CCR aos 80 anos de idade é de 1 em 10 para homens e 1 em 15 para mulheres. O risco acumulado ao longo da vida, na população de médio risco, é em torno de 1 em 19 (5,2%), com 90% dos casos ocorrendo após os 50 anos de idade. A incidência é mais alta em pacientes portadores de condições genéticas específicas que facilitam o aparecimento de CCR.

A taxa de mortalidade do CCR, nos países desenvolvidos vem caindo lentamente desde a metade dos anos 1980. O crescente número de exames realizados para prevenção dessa doença trouxe um aumento na detecção e remoção de pólipos e um maior número de cânceres encontrados em estágios mais precoces.

Essas taxas são consideradas boas, o que faz com que esse tipo de câncer tenha a segunda maior prevalência global, com cerca de 2,4 milhões de pessoas vivas com esse diagnóstico no mundo todo.

Diversos fatores ambientais, genéticos, geográficos, alimentares, medicamentosos bem como características físicas e doenças podem influir no risco de desenvolvimento de CCR. Fatores ambientais e genéticos podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento de CCR.

Embora predisposição genética resulte em aumentos importantes no risco, a maioria dos CCR é do tipo esporádica, mais que de origem familiar.

O melhor entendimento da patogênese molecular do CCR, que ocorreu na última década, nos levou a identificação de diversas alterações genéticas, as quais estão associadas a um risco extremamente alto de desenvolvimento de CCR.

Os hábitos cotidianos estão diretamente relacionados ao risco de desenvolver câncer. A alimentação é um importante fator tanto do aspecto protetor como do aspecto causal. O risco de CCR está associado ao estilo de vida ocidental.

Nos últimos anos, vários estudos grandes foram realizados para elucidar quais fatores diminuem e quais aumentam o risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Apesar de ser foco de intenso estudo, os achados de fatores nutricionais são controversos, não sendo possível destacar individualmente um fator isolado. Porém, hoje o padrão dietético geral pode ser utilizado na formulação de recomendações.

Vários estudos mostram que o consumo de carnes vermelhas, embutidos, grãos refinados e amido está associado a um aumento do risco para desenvolver CCR. A troca desses alimentos por carnes brancas, proteínas de origem vegetal, gorduras insaturadas (também de origem vegetal), grãos integrais, legumes e frutas parecem diminuir o risco. O papel de suplementos nutricionais como cálcio, vitamina D, folato, vitamina B6, entre outros, permanece incerto. Já os medicamentos como aspirina, anti-inflamatórios não esteroidais e reposição hormonal na mulher após a menopausa também diminuem o risco. No entanto, seu uso como “profilaxia” deve ser pesado contra os efeitos colaterais, que não são insignificantes. Por esta razão, não são rotineiramente empregados, salvo excepcionalmente e em casos muito selecionados.

Em resumo, a adoção de estratégias de saúde pública para o estímulo à adoção de um estilo de vida saudável com diminuição do consumo de bebidas alcoólicas, cessação do tabagismo, realização de exercícios físicos, perda de peso e diminuição no consumo de carnes vermelhas e embutidos podem diminuir a incidência do câncer colorretal.
O grupo populacional com risco moderado corresponde às pessoas de ambos os sexos, acima de 50 anos de idade, que é a faixa etária em que o CCR é mais frequente. Neste grupo, o risco de desenvolver, ao longo da vida, alguma neoplasia colorretal é de 4 a 6% entre os homens e 2,5 a 4% entre as mulheres. Esse grupo é o alvo das campanhas de rastreamento populacional.

Portanto, a escolha sobre a oportunidade de se indicar um ou mais tratamentos, sejam cirúrgicos ou combinados, deve ser realizado por equipe multidisciplinar, onde o cirurgião, o patologista e o oncologista – além dos médicos que já acompanham um determinado paciente por outras doenças crônicas – tenham um bom diálogo e envolvimento para que se proponham ao paciente os tratamentos mais adequados, os quais sempre devem ser individualizados para cada caso.

Dra. Juliana Portella Fontana – Médica Proctologista